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Aprender a olhar

Atualizado: 15 de jan.

Hoje rompi com todos os meus hábitos matinais porque tive que incluir mais dois, e como apenas sou uma pessoa produtiva entre as 8 da manhã até ás 4 da tarde tive que, de certa forma, arranjar aqui um tempinho para caminhar ou, andar a passo rápido… Básico, não é? Nesta altura já deveria saber que exercício faz bem mas confesso que desde o Covid a coisa desleixou-se um pouco.


Como é natural, vou caminhar (ou andar rápido) e as minhas ideias começam-se a manifestar. Segundo hábito, escrever uma entrada no blogue, porque foi um hábito que perdi à um tempo atrás. As mais variadas temáticas surgiram mas houve uma que me prendeu imenso a atenção e é aqui que entra realmente o que quero falar.


A Arte de Aprender a Olhar.


Durante as minhas exposições deparei-me com algo que não é muito costume nos dias de hoje – como as pessoas viam a minha arte, não o que elas extraiam do seu conteúdo, mas sim o Acto de Olhar. Prendeu-me a atenção. Porque nos dias de hoje com todas as redes sociais (e anúncios aos quais elas nos submetem) poucas são as pessoas que param para realmente apreciar e ver uma obra de arte. Eu como artista achei curioso o facto das interpretações dadas ao motivo exposto assim como o tempo, atenção e disponibilidade que o público estava a ter.


Como espectadora que também assimila outras obras de arte quando vou a determinadas exposições ou galerias tenho aqueles momentos de fixar um quadro e não entender nada mas a obra conseguir transmitir alguma emoção.


É preciso entender a arte para poder aprecia-la? Sou da opinião de que não. Ninguém tem que entender datas, nomes, movimentos do pincel, não se tem que estudar nada para passar num exame silencioso que se fez perante a obra. Creio que o conhecimento e a relação com a arte exposta começa antes do conhecimento, isto é, na reação imediata (qualquer sensação, seja ela, curiosidade, desconforto ou uma atracção inexplicável). Podemos sim, depois, aprofundar a experiencia e querer saber um pouco mais mas não é um pré-requisito para que a obra exista.


A arte não pede autorização intelectual. Pede presença. E isso, todos temos.


Muitas vezes dizemos a arte è difícil, num mundo onde estamos treinados para a rapidez, a arte pede o contrario: tempo. Tempo para olhar sem objetivo e apenas deixar a imagem e imaginária atuar sem ter uma compreensão instantânea. E essa é a dificuldade dos nossos dias, não a arte mas a nossa pressa.


Diálogos artísticos,

Irina Marques



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