Fanfarra Colorida I
- Irina Marques

- há 4 horas
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Os dias que correm em Portugal são tristes. Cada vez que ligamos a televisão para ver o telejornal o caos, o vazio, a destruição atinge-nos. Somos tão pequenos perante as catástrofes que a natureza impulsa.
Tentando dar um pouco de luz a tão delicada situação trago um breve texto imaginativo inspirado numa obra minha.

O universo ali era simples: um infinito fundo amarelo, um campo de luz dourada pulsante e quente. Não existia gravidade apenas esse espaço vibrante onde a quietude reinava.
Então, rompeu-se o silêncio. Não com som mas com uma súbita materialização de formas. Uma fanfarra visual detonou no vazio. Criaturas fantásticas e complexas com contornos precisos e geometrias arrojadas irromperam no cenário. Eram seres híbridos, figuras de sonho feitas de pigmento puro, poderia ser um pássaro segmentado em azuis e verdes um mecanismo de percussão em vermelhos e amarelos ou até mesmo entidades com olhos curiosos e corpos axadrezados.
Despertadas pelo caos cromático que elas próprias traziam, estas figuras estruturadas começaram a sua dança. Flutuavam e rodopiavam com as suas arestas nítidas e cores vibrantes. Era uma coreografia abstracta e sem propósito definido, uma celebração da forma e da cor, onde cada entidade singular contribuía para a súbita vertigem de sentir.
Por Irina Marques



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