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O Acordo de Arestas e Curvas - Construtivismo Caótico

In-finito IV, acrílico sobre tela, 80 x 60 x 2 cm, 2026, Irina Marques.
In-finito IV, acrílico sobre tela, 80 x 60 x 2 cm, 2026, Irina Marques.

Tudo começou no silêncio da tela, interrompido pelo eco de uma cor. O Vermelho vibrante gritou "Preciso de um ponto de ancoragem! Um farol!", e então, estabeleceu-se na tela. O Amarelo radiante acordou e disse "Calma, Vermelho, o teu calor é em exagero, precisamos de equilíbrio, vou ficar para sudeste como um segundo sol para suavizar o teu foco e trazer um pouco de iluminação ao meu canto. A tua cunha está a empurrar as minhas curvas!".


Quem não achou piada a esta conversa emocional foram as Linhas diagonais, rigorosas e metódicas declararam "Nós somos a infraestrutura. Se não traçamos os caminhos de ligação os vectores e os planos de tensão, vocês serão apenas manchas isoladas. Exigimos rotas diretas e cruzamentos precisos."


O Azul tranquilo acordou e disse "Tanta energia e tanta rigidez. Vou estender um lençol de paz para o fundo, uma área onde o olhar possa flutuar. E não me oponho a ter uma lágrima roxa a flutuar sobre mim para dar aquele toque de mistério."


"Mistério? Alguém falou em mistério?" Falou o Mosaico, metódico. "Eu posso preencher esse canto inferior esquerdo com uma grade de pequenos retângulos"


"E nós?" protestam as Formas orgânicas e Cascatas. "Nós temos de trazer um pouco de vida e fluidez a esta matemática. Eu, a casca estilizada, quero abrigar os corações e os dentes rebeldes da direita."


"E se eu fizer um ziguezague que contenha cores? Pode ser uma ideia!" propôs uma Forma em Dente. "Sim, mas a semente laranja deve ficar no espaço aberto para não sufocar!"


E as negociações continuaram...


"Amarelo, o teu círculo é muito grande!" gritava uma cunha.

"Eu, a lágrima roxa, ficarei sobre ti, Azul suave, se me permitires?", pedia a lágrima.

"Eu, a cunha verde, vou-me inclinar para ti, Circulo vermelho, para criar uma tensão aceitável.", concordou a cunha.


E por fim, o grande encaixe final lá aconteceu. Aos poucos, os ecos lá se harmonizaram. Surgiu um pacto de paz visual, onde cada forma e cor, após muito barulho e negociações cromáticas, concordou em ficar precisamente ali, criando a sinfonia final, um equilíbrio dinâmico que o mundo agora pode ver. E assim, o quadro ficou pronto.

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