Obra In-Finito IV – Reunião Geral do Condomínio
- Irina Marques

- há 4 dias
- 2 min de leitura
Ainda sobre a obra, escrevi um outro texto, imaginei novas conversas.

A reunião começou com o Vermelho a bater com o martelo no centro da mesa a dizer: “Exijo a cobertura! Sou a cor da paixão e da urgência, parte deste condomínio é meu por direito de saturação.”
O Azul, sentado ao fundo e sempre zen, bocejou: “Menos intensidade, Vermelho. Eu voto na abstenção de conflitos, desde que me deixem um espaço amplo para eu e as minhas sombras meditarmos em paz. Ocupo o rés-do-chão.”
A Geometria, a encarregada rigorosa do edifício, interveio com a sua régua “Nada de anarquia! Se o Amarelo quer iluminar o corredor leste, tem de o fazer num ângulo de 45 graus. E o Mosaico, por favor, pare de se multiplicar não sei se reparou mas as quotas de espaço estão apertadas!”
As Curvas e as Formas Orgânicas sussurravam nos cantos, conspirando para invadir as áreas comuns com a sua fluidez rebelde, enquanto os Triângulos insistiam que eram a única base sólida para a segurança de toda a estrutura.
Houve ali uns empurrões entre o Verde e o Laranja, discussões sobre quem tinha prioridade na “vista para o Branco” (entenda-se fora da tela) e uma breve ameaça de greve por parte das Linhas, que se recusavam a contornar toda a gente sem um aumento de destaque.
No final, entre gritos cromáticos e ajustes de arestas, assinaram a ata. O resultado? Um equilíbrio precário, vibrante e absolutamente magnífico. A reunião deu-se por encerrada e a tela, finalmente, deu-se por nascida.
Era tão simples se na vida, se certas reuniões também pudessem acabar assim, como as cores…


Comentários