Um dialogo artistico
- Irina Marques

- há 5 horas
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Pintar.
É basicamente uma conversa entre mim e uma tela em branco com uma data de tubos de tinta, que por vezes parecem ter vontade própria. Se acham que as cores são apenas pigmentos desenganam-se.
Elas têm personalidades bem fortes e muito mais complexas do que muita gente que conheço!
Entrar no meu atelier é como abrir a porta a uma festa onde ninguém sabe muito bem como se comportar.
O Amarelo é aquele amigo hiperactivo que chega a gritar BOM DIA! E ainda são seis da manhã.
O Azul é aquele intelectual da turma, sempre muito profundo a olhar o horizonte e a fingir que não está a ver o Vermelho, que mais uma vez tenta ser o centro das atenções.
Depois vem o Branco... Ah o Branco. É o pacificador que vem sempre tentar a confusão quando eu decido que misturar tudo foi uma ideia brilhante (spoiler: raramente é, acaba sempre num castanho cor de lama existencial).
O Verde, não serve só para as arvores pode também ser a cor da melancolia de um peixe de um aquário.
O Roxo é o místico que aparece quando a composição precisa de um drama digno de ópera.
E o Laranja? É o sol, que se esqueceu de pôr.
Como podem ver a minha paleta não existem regras mas sim meras sugestões.
No fundo ser artista é sentar todas as cores à mesma mesa sem elas se atropelarem. E ás vezes saem sussurros outras vezes discussões vibrantes. Mas a melhor parte de tudo isto é quando elas finalmente concordam, e de repente, a tela começa a respirar.
E agora, se me dão licença, tenho uma mancha Rosa Choque na bochecha que jura que faz parte da minha nova fase artistica!
Por Irina Marques




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